Beco da Lama se torna Patrimônio Cultural do RN
Local tradicional da boemia natalense, o Beco da Lama, na Cidade Alta, se tornou Patrimônio Cultural Material do Rio Grande do Norte. O reconhecimento foi assinado pela governadora Fátima Bezerra (PT) e publicado no Diário Oficial do Estado da última sexta-feira (17). O projeto que deu origem à lei foi aprovado em setembro pela Assembleia Legislativa, de autoria do deputado estadual Adjuto Dias (MDB). Antes, o Beco já era patrimônio da capital potiguar, reconhecido em 2021 por iniciativa de lei da então vereadora Julia Arruda (PCdoB).
História
O Beco da Lama está localizado no Centro Histórico de Natal, entre os pontos mais estreitos das ruas Coronel Cascudo e Vaz Gondim. Sua origem remonta ao final do século XIX e início do século XX, quando a região era um importante ponto de interações comerciais e culturais na cidade.
Na época, o beco era uma rua de acesso às zonas mais periféricas e de maior concentração de trabalhadores e pessoas de classes sociais mais baixas. Com o passar dos anos, o local tornou-se conhecido por sua intensa vida noturna, onde se concentravam bares, prostíbulos e casas de shows, sendo também um ponto de encontro de diversas manifestações culturais populares.
A nomenclatura “Beco da Lama” surgiu devido ao fato de o local acumular lama durante as chuvas, o que dificultava o trânsito de pessoas. No entanto, esse nome foi apropriado pelos moradores e frequentadores da região, adquirindo uma conotação simbólica associada à resistência e ao vínculo com a cultura local.
O Beco da Lama, ao longo das décadas, se tornou um ponto de concentração de músicos, poetas, artistas plásticos e intelectuais, além de abrigar muitas produções culturais alternativas. Além disso, o Beco da Lama também se destaca pela sua participação em momentos históricos importantes, como durante os anos da ditadura militar, quando se tornou um reduto de resistência cultural, um espaço de liberdade de expressão e convivência democrática.
Nos anos 80 e 90, o beco passou a ser um dos pontos de concentração dos blocos de carnaval mais populares da cidade. Também foi palco de festivais dedicados à música independente, com forte participação de bandas locais, além de ser ocupado por rodas de samba e festas tradicionais. Com o passar dos anos, continuou sendo um local de grande concentração para eventos culturais, como rodas de samba e outros encontros culturais. Esses acontecimentos consolidaram o beco como um centro cultural de resistência e expressão popular, onde artistas de diversas origens e classes sociais podiam se apresentar.